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  • Aldo Junior

A perigosa “zona de conforto” do sindico



Todo mundo vive fa­lando da tal “zona de conforto”, mas o que representa isso na gestão condominial? Em primeiro lugar, nem sempre é conve­niente ou a melhor forma de agir, mas o mais importante de tudo é: como sabemos se estamos ou não dentro desta dita zona de conforto?


Pois bem, na prática, quando falamos em zona de conforto dentro de um contexto condominial nos referimos ao conjunto de ações, circunstâncias, ações e comportamentos aos quais determinado sindico se acos­tuma perigosamente em seu dia a dia.


Esse conjunto de situ­ações não traz, ao sindico, qualquer tipo de risco e não gera ansiedade ou receio no primeiro momento. Em suma, é aquele ponto, den­tro da gestão condominial, no qual o sindico tem a clara sensação de que não há qual­quer ameaça administrativa.


A zona de conforto é um ponto no qual a maioria dos síndicos desenvolve uma es­tratégia ou comportamento que cria um desempenho ou nível de trabalho constante sem maiores esforços, ga­rantindo uma posição neutra e sem riscos, porém deixan­do de arriscar numa possível melhoria de sua gestão ad­ministrativa e financeira ou de capacitação e treinamen­to para o exercício do cargo.


Claro, que os riscos na gestão condominial são imi­nentes, e por vezes inevitá­veis, como um rompimento de uma tubulação, a quebra de um vidro ou até um acidente de trabalho.


Mas a sensação de “con­forto” aparente impede os síndicos de detectar os riscos à sua volta – até mesmo o instinto, o receio e descon­fiança naturais do ser huma­no desaparecem, pela falta de questionamentos, levan­do o sindico naturalmente a zona de conforto.


A perigosa zona de con­forto do sindico, se torna in­visível e dá alertas com erros de gestão principalmente, quando o gestor identifica problemas claros e trans­parentes na gestão com um todo, mas como não há qualquer cobrança por parte de condôminos, a acomodação e o descaso tomam conta, e uma cortina imaginária de segurança se forma a sua volta. É exatamente ai o peri­go.


Problemas notórios, mas constantemente mascarados pelos síndicos, principal­mente com prestadores de serviços que apresentam ser­viços muito básicos e incom­pletos, que dirá quase já ul­trapassados e insuficientes, profissionais que na verdade são “marreteiros de plantão” e mantidos pela administra­ção simplesmente porque cobram muito barato e são convenientes.


Mas quando acontece um problema real? E quan­do chega repentinamente um novo condômino critico de natureza e criterioso de formação – não existente anteriormente - e começa a exigir tudo do sindico? Neste momento, a zona de confor­to se transforma em zona de impacto direto, e para pio­rar as respostas não vem em tempo hábil ao condômino questionador pelo sindico e pelos profissionais ou forne­cedores contratados do con­domínio, e mantidos pelo sindico por acomodação.


E quais são os sinais e os indicativos de que você se encontra na zona de confor­to em sua gestão? Vejamos:


• Problemas visíveis e que você disfarça não existirem

• Profissionais despreparados e limitados que lhe prestam serviços

• Prestação de contas mensal de difícil com­preensão

• Fornecedores com produtos de segunda li­nha

• Grandes períodos de tempo sem prestação de contas aos condôminos

• Falta de entrega de pastas de prestação de contas ao conselho fiscal

• Aquisições e compras desnecessárias e sem controle

• Formação de caixa com valores excessivos e sem comprovação

• Eternas desculpas administrativas sem solu­ções práticas e a contento


E como sair da zona de conforto? Primeiro imagine que um belo dia, um condô­mino vai bater a sua porta e exigir de você tudo aquilo que sempre deixa para de­pois, ou ainda pior, que por negligência ou omissão fi­cam em segundo plano.


Muito cuidado com es­sas atitudes comodistas, e se quiser mudar este quadro te­nha muita disciplina, e pense nas consequências futuras. É compreensível imaginar que seu cotidiano extremamen­te confortável pela absoluta falta de criticas ou cobranças dos condôminos não possa mudar. Mais difícil ainda é, se convencer de que situa­ções que hoje não lhe inco­modam, podem em algum momento de sua gestão tra­zer-lhe grandes problemas.


Nunca duvide disso, pois tudo pode mudar em instan­tes numa gestão condomi­nial.


Reverter este quadro de aconchego e calmaria mo­mentânea é necessário e deve ser levado em conside­ração pelo gestor preventiva­mente. Pode ser difícil esta análise, mas prestando mui­ta atenção aos detalhes que o incomodam, e que muitas vezes o sindico finge não existir, é um dos caminhos. Procurar se cercar de pro­fissionais competentes, que mesmo quando não houver questionamento tudo estiver sendo conduzido de forma correta e profissional, ga­rante e previne o sindico de grandes aborrecimentos ao final da gestão.


| Por Aldo Junior - Dr. Condomínio